Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 15, 2007

Meu primeiro carnaval!

Ontem participei do meu primeiro “baile” de carnaval. Logo na chegada fui brindada com uma chuva de confetes. Afinal, sou uma Condessa e mereço as honras da casa:

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Percebam a aproximação de um pirata, meio metido a besta, querendo pegar umas sobrinhas dos meus confetes.

Não posso negar que fui muito assediada. Como o pirata viu que não ia conseguir nada, o homem-aranha pensou em jogar suas teias pra cima de mim. Tsc, tsc… tadinho. Olhem meu olhar de quem não quer nada:

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Finalmente alguém interessante tentou chegar perto (até dei uma olhadinha, só pra fazer charminho…):

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mas papai percebeu e passou “um pito” no piá. Olha a carinha de assustado que ele fez:

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Tadinho, acabou desistindo e correndo pra babá. Mas não faltou uma coleguinha que saisse correndo pra consolar. Até gostei do que o papai fez e fiquei batendo palmas, heheheh:

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Cheguei em casa tão cansada que “caí” na frente da televisão e dormi ali mesmo, heheheh

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Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 10, 2007

Inauguração!

Cada um arranja uma maneira de deixar gravada a história. E essa maneira reflete a tecnologia da época. Não é por menos que os historiadores estudam as ferramentas e sua evolução, pois através delas é possível conhecer como a humanidade evoluiu.

Ao tempo da Fernanda, minha primeira filha, não tínhamos internet, e a história dela está registrada apenas em fotografias e nos trabalhinhos feitos no tempo do jardim.

A Condessa nasceu no século XXI. No século da internet. Nada mais justo que a história dela seja registrada na internet.

A inspiração para este blog veio da fotografia (ai em cima) que tirei dela, brincando com o meu computador. Como mudam os tempos. Quando era criança jamais imaginei chegar perto de qualquer coisa que fosse dos meus pais. Até por que, eles não deixavam. “Isso não é coisa de criança”, diziam.

Havia uma separação muito grande entre pais e filhos. Hoje, já nascem teclando (ou quase).

Esse blog é para registrar as pequenas grandes aventuras da Condessa, na sua lide com a vida. Não é um blog para adultos, mas para adultos que ainda sentem prazer em ver a vida desenvolver-se; para adultos, como eu, que não esqueceram a infância.

Copiei todos os posts que escrevi lá no Chato e que envolviam a Condessa. Alguns pretendo terminar, como a série que deu título ao blog.

Mas de tudo, ficará o registro de histórias que ela certamente não lembra. É mais uma contribuição que, como pai, posso fazer para que ela entenda a sua propria vida. Não tive isso. Só me restam algumas fotografias dessa época. Mas fotografias não contam históirias. Fotografias não dizem das emoções e conquistas. Fotografias param a vida; um blog pode contar a vida. É diferente.

E uma vida que nasceu original. Pois ao que eu saiba, somente ela tem padrinhos virtuais. Duas pessoas maravilhosas: o Edu e  a Yvonne. E quando ela aprender a ler, descobrirá que o mundo no qual ela nasceu é muito maior do que a pequenina compreensão dela pode imaginar.  Por esse blog ela aprenderá o quanto vocês são importantes. E um dia, quem sabe, poderá conhecer vocês “ao vivo e a cores”.

Não sou o único, a Fernanda (xará da minha) que o diga. Ela tem um blog para os filhos. Certamente existem outros que não conheço. Aos poucos vamos fazendo amizades pelos nossos filhos. Afinal, deles será o mundo.

Uma última referência para a “mana” virtual da Condessa, a Princesinha, neta da querida amiga virtual Denise. Clarissa e Clarisse nasceram quase ao mesmo tempo. Eu pai, ela avó. Ambos movidos pelas mesmas paixões: o futuro!

Sou bobo? Sim, sou! E serei sempre quando se tratar de contar as Aventuras da Condessa Clarissa por esse mundinho.

Convido-os, para quando estiverem necessitando “sair” do mundo adulto, que visitem o blog (e os outros que eu for nominando por aqui), para uma leitura da vida em crescimento. Para a leitura de um tempo que a vida nos faz esquecer.

PS.: Não está tudo pronto, hehehe. Aos poucos vou arrumando. Uma coisa que acontece comigo é que aparecem uns caractéres estranhos no lugar das letras com acento. Se isso está acontecendo com você, clique no menu “Exibir”, selecione ” Codificação” etecle em “Ocidental (ISO-8859-1). Isso deverá resolver o problema.

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Janeiro 15, 2007

138 – Enquanto isso, no domingo…

Pois é,

Antes de continuar, se existem três coisas pelas quais ainda vale a pena manter a esperança no mundo, ei-las:




Dezesseis anos as separam. Mera questão de idade, pois sabemos que serão adultas no mesmo mundo e tempo. Tempo e mundo que já não me pertencem. Na verdade, ambos nunca me pertenceram. Mas foi domingo, e domingo é dia consagrado. Poucas vezes tenho conseguido fazer isso. Pai e filhas. A Fernanda não mora comigo, e, infelizmente, ambas, Kaya e Fernanda, mantêm uma relação, no máximo, social e de respeito. Elas querem assim e só me resta respeitá-las. Aos poucos tento buscar uma maior convivência, mas é difícil.

Ao menos temos algo em comum: uma bela picanha mal passada, assada por este que vos escreve. Daí a pensar é um pulo: se não sou capaz de resolver um problema caseiro, aparentemente de fácil solução, como enfrentar problemas da humanidade?

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Dezembro 14, 2006

De como fazer uma criança feliz, em um ato

Pois é,

Levei um susto ontem! Casualmente voltei mais cedo do trabalho e estava em casa quando batem na porta anunciando uma encomenda para a Clarissa. Putz,vai ver é um assalto. Desde quando um bebê recebe encomenda? Só pode ser gente que anda controlando o movimeno da casa e sabia que naquela hora só estava a empregada. Para uma empregada seria a coisa mais natural do mundo abrir a porta para receber uma encomenda para alguém da casa.

E de fato ela já estava abrindo a porta quando resolvi perguntar para ela quem era. “Encomenda pra Clarissa, seu Afonso”. Fui eu mesmo até a garagem (o portão é vazado) e tentei identificar o entregador. Bom, pelo menos o entregador era sério. Peguei a tal encomenda, uma caixa da Submarino, muito suspeita por sinal.

Nova dúvida: e quam poderia ter mandado um presente comprado pela internet para a Clarissa? Só uma pessoa, na blogosfera, sabe meu endereço novo e ela não teria porque mandar presentes pela internet, pois poderia vir pessoalmente aqui.

Liguei para a Kaya e relatei o ocorrido. Aproveitei para sugerir chamar o esquadrão anti bombas, pois bem poderia ser uma. O que fazer, abrir ou não abrir. Deixei para abrir quando estivéssemos todos em casa. Se fosse uma bomba, a família morreria junto e feliz…

Abri. Era um presente surpresa do dindo papai noel EDU. Olha aí a “bomba”:

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Setembro 12, 2006

Vamos aos fatos… II

Pois é,

Duas horas antes do ocorrido…

Estava eu a tomar um belo banho, quase que inaugurando as instalações de água quente, quando o vizinho de baixo bate na porta.

- Afonso!
- Que foi, fulano?
- Tá chovendo água quente no meu banheiro!
- Não é possível, falei. O banheiro é todo novo, inclusive os canos e ligações!
- Vamos lá para dares uma olhada.

E lá fui eu já imaginando o pior… De fato, era como se meu chuveiro estivesse instalado diretamete no teto do banheiro dele. No chão, abaixo da lâmpada, jazia um balde já cheio d’água. Com uma cara um tanto debochada, enfiei o dedo na água e disse:

- É, tá quente mesmo!

Ainda bem que o cara é de boa paz. Retornei ao meu ap e liguei imediatamente para o mestre de obras. “Fulano, tá acontecendo assim, assim. Vem pra cá amanhã cedo e resolve!” Ainda bem que temos quatro banheiros e num deles mandei colocar um chuveiro elétrico. E como fica na cobertura, se chovesse seria problema só meu…

No outro dia, depois de vários testes, cola daqui, cola dali, e nada – cada vez que se ligava o chuveiro chovia lá embaixo -, não houve alternativa a não ser … quebrar o banheiro novinho em folha.

Parece que é sempre assim: se tiver que quebrar, quebra na parte mais cara. E não há nada mais caro do que piso de banheiro, ainda mais quando se usa porcelanato, que exige um rejunte que custa os olhos da cara, também.

Na hora do ocorrido…

Mas como ia dizendo, a Clarissa estava aos berros no colo da babá…

Em seguida a Kaya chegou. Observamos que ela levava a mão em direção da orelha esquerda, como num ato de defesa e, talvez, para fazer parar a dor. A Kaya tentava tocar e ela não deixava, sempre chorando. Não conseguimos examinar para ver o que era, pois ela não deixava, tamanha devia ser a dor. E mais ainda por ter acordado com a dor. O susto era maior ainda. Notei que a orelha estava muito vermelha.

Ligamos imediatamente para o pediatra. A primeira hipótese é sempre doença. Uma otite, talvez. Isso o médico descartou:

- Otite não aparece assim, de uma hora para outra. Normalmente é precedida por uma gripe, resfriado ou outra situação em que o bebê já está debilitado, o que não era o caso dela. Ela está bem. Vamos dar um remédio para a dor e acompanhar. Se persistir, tragam ela aqui. Estou de plantão no hospital.

Fui para um canto do terraço e falei:

- Doutor, a orelha dela está muito vermelha. É possível que isso seja resultado de uma agressão?
- Olha, Afonso, diante do quadro que vocês me contaram não é de se descartar essa possibilidade. Não é comum bebês acordarem, sem mais nem menos, aos gritos e se defendendo como ela está. É bom observar isso.

Demos o remédio e, meia hora depois, a Clarissa estava dormindo na maior tranqüilidade. Chamei a Kaya e falei:

- Não importa o que aconteceu. Não temos como provar nada, mas, por via das dúvidas, estamos tratando com a segurança dela. Já temos aquelas outras situações e não é hora de arriscar. Hoje ela dorme conosco e amanhã cedo bota a babá na rua, definitivamente.

Embora não possamos provar, o que nos impede de uma ação mais rigorosa, não há dúvidas de que ela deu um enorme biliscão na orelha da Clarissa enquanto ela dormia. É a única explicação para a vermelhidão e a dor. Felizmente a coisa parou por aí.

Há uma possível explicação para esse comportamento, mas fica para amanhã… O mal é muito mais inteligente que o bem.

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Setembro 11, 2006

Vamos aos fatos…

Pois é,

Mudança marcada para o dia 20 de julho. A última coisa que faltava terminar na obra era a tal da escada que, diga-se de passagem, era o gargalo. Tudo dependia dela, pois mais da metade da mudança iria para a cobertura.

Tudo combinado e acertado com a empresa que fez e iria montar a escada: dia 19 ela estaria pronta. No dia 20 à tarde, quando a mudança chegaria, existiam apenas 2 dos 12 degraus previstos.

Duas semanas antes…

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Preciso falar algo muito sério contigo!
- Ih! Doeu! (em geral, assuntos sérios da Kaya doem no bolso)
- Sem brincadeira!
- O que houve dessa vez? Juro que não fiz nada! E se fiz, não era eu!
- Acho que vi a …. dando um tapa na bunda da Clarissa.
- Imagina, impressão tua! Vai ver é um daqueles tapinhas carinhosos que tudo mundo dá. Conforme a gente olha pode parecer que é tapa de verdade. Afinal, ela está com a gente há dez meses. Certamente não faria isso.

E o assunto ficou por isso mesmo.

Uma semana antes…

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Preciso falar algo muito sério contigo!
- Ih! Doeu! (em geral, assuntos sérios da Kaya doem no bolso)
- Sem brincadeira!
- O que houve dessa vez? Juro que não fiz nada! E se fiz, não era eu!
- A … (empregada) me telefonou falando da babá.
- E daí? Ela faz isso todos os dias.
- É, mas dessa vez a coisa é grave!
- E o que ela te disse?
- Que já era a segunda vez que ela via a … jogando fora o remédio da Clarissa em vez de dar para ela.

(Aqui cabe uma pequena explicação: pela manhã, enquanto nos arrumávamos, a babá estava encarregada de preparar a Clarissa e de dar os remédios. Nesse momento – e sabe-se lá Deus em que outros – é que ela estava jogando fora os remédios)

Reunião de família…
Presentes: eu e a Kaya
Pauta: o que fazer?

Aos xxx dias do mês de julho de 2006, reunidos no banheiro da casa (sim, pois a babá andava solta por todo o resto) Afonso e Kaya reuniram-se para decidir o que fazer diante das informações de que a babá, vulgo …., estaria jogando fora os remédios da Clarissa.

- “Põe na rua amanhã mesmo!”, falei, e com ares de quem manda na casa…
- Não posso!
- Como, “não pode”?
- Olha a bugança que está essa casa! E como é que vou conseguir arrumar tudo para a mudança com a Clarissa no colo? Assim não dá. Temos que ficar com ela até nos mudarmos.
- Que seja! Mas assim que a gente se ajeitar no novo apartamento, ela vai pra rua!

Nada mais tendo a relatar, eu, Afonso, que a tudo assisti, assino e dou fé!

(nesse meio tempo, a Clarissa, talvez em virtude do pó gerado pelos preparativos da mudança, pega uma dermatite de contato. Visitas ao pediatra que receita os remédios apropriados – mais dois entre os tantos que ela já tomava – e nada da coisa sarar…)

No dia da mudança…

Como a escada não estava pronta e a casa estava cheia de pó, sujeira, mudança empilhada e serragem, a dermatite tomou conta de todo o corpo da Clarissa, quando a trouxemos no final do dia.

Uma semana depois…

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Finalmente vou conseguir descansar um pouco. A Clarissa está dormindo, vou lá em cima fumar um cigarrinho e descansar 15 minutos. Depois vou ligar para o pediatra, pois não há jeito dessa dermatite acabar. Já estamos dando o remédio mais forte e nada…
- Vai e aproveita.

Ato contínuo, ouvimos a Clarissa aos berros, desesperada de dor. Algo como nunca tínhamos visto, sequer quando ela estava com esofagite. Saí correndo e fui até o quarto dela. A babá estava com ela no colo. Perguntei o que havia acontecido e ela me respondeu que não sabia, que a Clarissa havia acordado chorando…

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Maio 20, 2006

Eu volto – III

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 26, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa – XI

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Agonia de D. Afonso

O sofrimento físico era até suportável para D. Afonso. Não entendia, no entanto, porque perdera a vontade de comer, por pior que pudesse ser a comida que lhe ofereciam. Ouvia os guardas dizerem que estava fazendo greve de fome. Não pensara nisso, apenas não sentia desejo pela comida. Tentou lutar contra isso, mas sentia-se como que preso por uma força maior que as suas. E assim foi se apagando. Achava estranho os movimentos do próprio corpo, como se estivesse sentindo uma dor imensa, mas a dor se fora. A última visão que teve foi o rosto do Chato.

E o que era uma dor física transformou-se numa profunda dor da alma. Escuro e frio. Tudo quanto tinha medo: escuro e frio. Sentiu-se novamente como naquela primeira vez, quando criança, em que acordara de madrugada e vira o escuro. E pela primeira vez também sentiu o frio. Veio-lhe à lembrança as incontáveis vezes, ao longo da vida, em que acordara no escuro e tremendo de frio. Aqueles poucos e infindáveis minutos eram o terror da sua vida. Não havia noite em que não fosse dormir com medo de acordar no escuro e tremendo de frio. Ultimamente isso acontecia com uma freqüência mais do que indesejável. Sabia que não adiantava se cobrir. O escuro e o frio vinham de dentro. O tremor era incontrolável. Por vezes gemia, sem entender porque aquilo acontecia. Nesse momento vinha o pior, o vazio.

Acordou naquela noite e escutou barulho na sala. Inocente ainda nos seus recém completos cinco anos, e curioso por tudo quanto desconhecia, resolveu levantar. Imaginava que seriam seus pais e seus irmãos mais velhos conversando. Saiu do quarto e caminhou pelo corredor. Ao chegar na sala experimentou o medo que jamais o abandonaria: viu diversos esqueletos pela sala. Uns conversavam; outros caminhavam de um lado para outro e alguns dançavam. Todos muito agitados. Tomado pelo medo, voltou correndo para o quarto, atirou-se na cama e cobriu-se com o cobertor. Fazia frio naquele dia. Ao deitar, ainda teve tempo de olhar para a guarda da cama e ver ali, estampada, uma caveira que brilhava no escuro. Foi a primeira vez, de tantas da sua infância, que fez xixi na cama.

Era assim que estava se sentindo naquele momento. Escuro e frio acompanhado de um vazio imenso. Não conseguia se controlar e chorava desesperado, quando um brilho intenso rompeu a escuridão. Reconheceu aquilo imediatamente. Eram os Olhos que Brilham, sua amada esposa, a Rainha Bruxa.



“…eram os Olhos que Brilham. Sua amada esposa, a Rainha Bruxa.”

- Querido, sinto muito te fazer passar por essa experiência, mas era a única maneira de evitar que o Chato fizesse coisa pior.
- Como assim?
- Não foste envenenado. Por um encantamento fiz com que parecesse assim. Sabia que o Chato iria tomar providências para evitar a tua morte.
- Mas e Mestre Alan, não será capaz de realmente me envenenar?
- Não te preocupes. Apesar de estar do lado do Chato, não ensinei a ele tudo que sei. Tenho certeza de que ele irá sugerir ao Chato que me chame. Isso é parte do meu plano. Infelizmente a Duquesa Roma, apesar das boas intenções, não deverá resistir.
- E por que essas dolorosas lembranças da minha infância, que nunca me abandonam?
- Querido, quantas vezes nem te lembras delas, mas eu vejo, todos os dias, como dormes. E se te cubro, não é apenas pensando que estejas com frio, mas porque sei dos teus sonhos. Agora preciso ir. Retornarei quando Clarissa e Fernanda aqui chegarem. Temo que D. Cláudio, apesar de ser meu melhor aluno, não consiga descobrir quem é o traidor. Nossa filha corre perigo, preciso estar com ela.
- E o que eu faço? Continuarei assim?
- Não. Vais ficar tranqüilo e nem verás o tempo passar, embora quem esteja te olhando verá dor e sofrimento em teu rosto.

E D. Afonso dormiu como dormia antes daquela noite da sua infância…



“E D. Afonso dormiu como dormia antes daquela noite….”

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 22, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa – X

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Jornada – Segunda Noite…

- Essa noite será um pouco mais difícil, disse o Capitão André. A subida será mais íngreme, por dentro de matas muito fechadas e teremos neblina pela frente. Não poderemos nos atrasar. Joseph irá comigo, na frente, para abrir caminho onde for necessário.



“…e teremos neblina pela frente.”

- Não posso, berrou Joseph lá de trás!
- Como assim, não pode?
- Estou aqui tão somente para proteger a Condessa e D. Fernanda. Devo andar sempre ao lado delas.

O Capitão virou-se para a Condessa, com ar de quem pediria a sua interferência, mas foi interrompido pelo Coronel Maurício…

- Eu vou. O Joseph tem razão. Acima de tudo devemos manter a segurança delas.
- Condessa, e o que fará D. Cláudio? Até agora não fez mais nada a não ser ficar observando a todos, aproveitou-se o General, já para mostrar que não gostava de D. Cláudio.

Ao ver que a Condessa hesitara em dar a resposta, D. Cláudio falou: – Meu caro General, não lhe cabe constranger a Condessa. Assim com todos aqui, também tenho a minha função. E posso lhe garantir que será revelada no momento adequado.

Todos olharam para a Condessa, que permanecia quieta. Era como se não estivesse ali. D. Fernanda percebeu que a irmã sentia-se angustiada. Aproximaou-se e perguntou baixinho:

- Minha irmã, posso saber o que está havendo?
- Algo me diz que papai não está bem. Devemos nos apressar.
- Então acabe com essa discussão e vamos logo.
- Mana, deixe-os discutirem mais um pouco. Quero que D. Cláudio os observe.
- E já estás desconfiando de alguém?
- Não faço idéia e isso me assusta. Todos sempre foram leais ao papai. Que razão teriam para traí-lo?
- E confias tanto assim em D. Cláudio?
- Mana, D. Cláudio é discípulo de mamãe. Se ela lhe ensinou tudo sobre as artes de interpretar os sonhos é porque confia nele.

Levantou-se e ordenou: – Parem com essa discussão. Todos sabem o que devem fazer e não quero brigas por aqui. General, cuide das suas tarefas e deixe D. Cláudio em paz.

A primeira hora foi tranqüila. A trilha ainda se mostrava razoavelmente transitável. Logo após atravessarem um pequeno riacho começaram as dificuldades. Dali vislumbraram a alta montanha que enfrentariam naquela noite.



“Logo após atravessarem um pequeno riacho…”

Pararam para um breve descanso. Foi quando se deram conta de que o Major Milton não estava com eles.

Publicado por: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 21, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa – IX

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A tentativa de Assasinato…

A Duquesa sabia que o poder das mulheres sobre os homens está não em saber começar, que isso é fácil, mas quando terminar. A escolha do momento exato em que a satisfação gera mais desejo. É quando o prazer pode se tornar um vício.

- Querido, disse virando-se de costas, recusando explicitamente mais uma investida do Chato, lembre-se que fiz uma viagem cansativa e essa noite não estava nos meus planos.
- Eu sei! Mas também sei que deves partir logo e já me doi pensar ficar sem ti.
- Isso depende. Permanecer mais tempo ou não é minha escolha. Quero que tenhas uma conversa com D. Afonso e convença-o a parar com a greve de fome.

Surpreso com a própria reação, o Chato concordou. Tão logo amanheceu, dirigiu-se à cela de D. Afonso. Quando a pesada porta de ferro se abriu, teve uma visão estarrecedora. D. Afonso jazia ao solo em meio ao que pareceia ser vômito misturado ao que mais lhe pudesse sair do corpo debilitado. A expressão no rosto denunciava o resultado da tortura. Alguém havia feito mais do que simplesmente dar-lhe cerveja quente. Percebeu que tentaram envenená-lo.



“A expressão no rosto denunciava o resultado da tortura.”

- Guardas!
- Senhor?
- Tirem D. Afonso daqui imediatamente. Limpem-no e chamem o Mestre Alan para que cuide dele.

Uma sensação de estar perdendo o controle da situação tomou conta do Chato. Não gostava de lidar com situações inesperadas, mas essa tinha passado dos limites. Matar D. Afonso? Não, nem ele havia pensado nisso. E como explicar para a Duquesa? Teria que descobrir logo quem fez isso e é algo que somente ele mesmo poderia resolver, pensou. Antes, porém, deveria planejar o que fazer para impedir que a Condessa chegasse ao castelo.

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