Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Dezembro 14, 2006

De como fazer uma criança feliz, em um ato

Pois é,

Levei um susto ontem! Casualmente voltei mais cedo do trabalho e estava em casa quando batem na porta anunciando uma encomenda para a Clarissa. Putz,vai ver é um assalto. Desde quando um bebê recebe encomenda? Só pode ser gente que anda controlando o movimeno da casa e sabia que naquela hora só estava a empregada. Para uma empregada seria a coisa mais natural do mundo abrir a porta para receber uma encomenda para alguém da casa.

E de fato ela já estava abrindo a porta quando resolvi perguntar para ela quem era. “Encomenda pra Clarissa, seu Afonso”. Fui eu mesmo até a garagem (o portão é vazado) e tentei identificar o entregador. Bom, pelo menos o entregador era sério. Peguei a tal encomenda, uma caixa da Submarino, muito suspeita por sinal.

Nova dúvida: e quam poderia ter mandado um presente comprado pela internet para a Clarissa? Só uma pessoa, na blogosfera, sabe meu endereço novo e ela não teria porque mandar presentes pela internet, pois poderia vir pessoalmente aqui.

Liguei para a Kaya e relatei o ocorrido. Aproveitei para sugerir chamar o esquadrão anti bombas, pois bem poderia ser uma. O que fazer, abrir ou não abrir. Deixei para abrir quando estivéssemos todos em casa. Se fosse uma bomba, a família morreria junto e feliz…

Abri. Era um presente surpresa do dindo papai noel EDU. Olha aí a “bomba”:

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Setembro 12, 2006

Vamos aos fatos… II

Pois é,

Duas horas antes do ocorrido…

Estava eu a tomar um belo banho, quase que inaugurando as instalações de água quente, quando o vizinho de baixo bate na porta.

- Afonso!
- Que foi, fulano?
- Tá chovendo água quente no meu banheiro!
- Não é possível, falei. O banheiro é todo novo, inclusive os canos e ligações!
- Vamos lá para dares uma olhada.

E lá fui eu já imaginando o pior… De fato, era como se meu chuveiro estivesse instalado diretamete no teto do banheiro dele. No chão, abaixo da lâmpada, jazia um balde já cheio d’água. Com uma cara um tanto debochada, enfiei o dedo na água e disse:

- É, tá quente mesmo!

Ainda bem que o cara é de boa paz. Retornei ao meu ap e liguei imediatamente para o mestre de obras. “Fulano, tá acontecendo assim, assim. Vem pra cá amanhã cedo e resolve!” Ainda bem que temos quatro banheiros e num deles mandei colocar um chuveiro elétrico. E como fica na cobertura, se chovesse seria problema só meu…

No outro dia, depois de vários testes, cola daqui, cola dali, e nada - cada vez que se ligava o chuveiro chovia lá embaixo -, não houve alternativa a não ser … quebrar o banheiro novinho em folha.

Parece que é sempre assim: se tiver que quebrar, quebra na parte mais cara. E não há nada mais caro do que piso de banheiro, ainda mais quando se usa porcelanato, que exige um rejunte que custa os olhos da cara, também.

Na hora do ocorrido…

Mas como ia dizendo, a Clarissa estava aos berros no colo da babá…

Em seguida a Kaya chegou. Observamos que ela levava a mão em direção da orelha esquerda, como num ato de defesa e, talvez, para fazer parar a dor. A Kaya tentava tocar e ela não deixava, sempre chorando. Não conseguimos examinar para ver o que era, pois ela não deixava, tamanha devia ser a dor. E mais ainda por ter acordado com a dor. O susto era maior ainda. Notei que a orelha estava muito vermelha.

Ligamos imediatamente para o pediatra. A primeira hipótese é sempre doença. Uma otite, talvez. Isso o médico descartou:

- Otite não aparece assim, de uma hora para outra. Normalmente é precedida por uma gripe, resfriado ou outra situação em que o bebê já está debilitado, o que não era o caso dela. Ela está bem. Vamos dar um remédio para a dor e acompanhar. Se persistir, tragam ela aqui. Estou de plantão no hospital.

Fui para um canto do terraço e falei:

- Doutor, a orelha dela está muito vermelha. É possível que isso seja resultado de uma agressão?
- Olha, Afonso, diante do quadro que vocês me contaram não é de se descartar essa possibilidade. Não é comum bebês acordarem, sem mais nem menos, aos gritos e se defendendo como ela está. É bom observar isso.

Demos o remédio e, meia hora depois, a Clarissa estava dormindo na maior tranqüilidade. Chamei a Kaya e falei:

- Não importa o que aconteceu. Não temos como provar nada, mas, por via das dúvidas, estamos tratando com a segurança dela. Já temos aquelas outras situações e não é hora de arriscar. Hoje ela dorme conosco e amanhã cedo bota a babá na rua, definitivamente.

Embora não possamos provar, o que nos impede de uma ação mais rigorosa, não há dúvidas de que ela deu um enorme biliscão na orelha da Clarissa enquanto ela dormia. É a única explicação para a vermelhidão e a dor. Felizmente a coisa parou por aí.

Há uma possível explicação para esse comportamento, mas fica para amanhã… O mal é muito mais inteligente que o bem.

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Setembro 11, 2006

Vamos aos fatos…

Pois é,

Mudança marcada para o dia 20 de julho. A última coisa que faltava terminar na obra era a tal da escada que, diga-se de passagem, era o gargalo. Tudo dependia dela, pois mais da metade da mudança iria para a cobertura.

Tudo combinado e acertado com a empresa que fez e iria montar a escada: dia 19 ela estaria pronta. No dia 20 à tarde, quando a mudança chegaria, existiam apenas 2 dos 12 degraus previstos.

Duas semanas antes…

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Preciso falar algo muito sério contigo!
- Ih! Doeu! (em geral, assuntos sérios da Kaya doem no bolso)
- Sem brincadeira!
- O que houve dessa vez? Juro que não fiz nada! E se fiz, não era eu!
- Acho que vi a …. dando um tapa na bunda da Clarissa.
- Imagina, impressão tua! Vai ver é um daqueles tapinhas carinhosos que tudo mundo dá. Conforme a gente olha pode parecer que é tapa de verdade. Afinal, ela está com a gente há dez meses. Certamente não faria isso.

E o assunto ficou por isso mesmo.

Uma semana antes…

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Preciso falar algo muito sério contigo!
- Ih! Doeu! (em geral, assuntos sérios da Kaya doem no bolso)
- Sem brincadeira!
- O que houve dessa vez? Juro que não fiz nada! E se fiz, não era eu!
- A … (empregada) me telefonou falando da babá.
- E daí? Ela faz isso todos os dias.
- É, mas dessa vez a coisa é grave!
- E o que ela te disse?
- Que já era a segunda vez que ela via a … jogando fora o remédio da Clarissa em vez de dar para ela.

(Aqui cabe uma pequena explicação: pela manhã, enquanto nos arrumávamos, a babá estava encarregada de preparar a Clarissa e de dar os remédios. Nesse momento - e sabe-se lá Deus em que outros - é que ela estava jogando fora os remédios)

Reunião de família…
Presentes: eu e a Kaya
Pauta: o que fazer?

Aos xxx dias do mês de julho de 2006, reunidos no banheiro da casa (sim, pois a babá andava solta por todo o resto) Afonso e Kaya reuniram-se para decidir o que fazer diante das informações de que a babá, vulgo …., estaria jogando fora os remédios da Clarissa.

- “Põe na rua amanhã mesmo!”, falei, e com ares de quem manda na casa…
- Não posso!
- Como, “não pode”?
- Olha a bugança que está essa casa! E como é que vou conseguir arrumar tudo para a mudança com a Clarissa no colo? Assim não dá. Temos que ficar com ela até nos mudarmos.
- Que seja! Mas assim que a gente se ajeitar no novo apartamento, ela vai pra rua!

Nada mais tendo a relatar, eu, Afonso, que a tudo assisti, assino e dou fé!

(nesse meio tempo, a Clarissa, talvez em virtude do pó gerado pelos preparativos da mudança, pega uma dermatite de contato. Visitas ao pediatra que receita os remédios apropriados - mais dois entre os tantos que ela já tomava - e nada da coisa sarar…)

No dia da mudança…

Como a escada não estava pronta e a casa estava cheia de pó, sujeira, mudança empilhada e serragem, a dermatite tomou conta de todo o corpo da Clarissa, quando a trouxemos no final do dia.

Uma semana depois…

- Afonso!
- Sim, Kaya.
- Finalmente vou conseguir descansar um pouco. A Clarissa está dormindo, vou lá em cima fumar um cigarrinho e descansar 15 minutos. Depois vou ligar para o pediatra, pois não há jeito dessa dermatite acabar. Já estamos dando o remédio mais forte e nada…
- Vai e aproveita.

Ato contínuo, ouvimos a Clarissa aos berros, desesperada de dor. Algo como nunca tínhamos visto, sequer quando ela estava com esofagite. Saí correndo e fui até o quarto dela. A babá estava com ela no colo. Perguntei o que havia acontecido e ela me respondeu que não sabia, que a Clarissa havia acordado chorando…

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Maio 20, 2006

Eu volto - III

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 26, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa - XI

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Agonia de D. Afonso

O sofrimento físico era até suportável para D. Afonso. Não entendia, no entanto, porque perdera a vontade de comer, por pior que pudesse ser a comida que lhe ofereciam. Ouvia os guardas dizerem que estava fazendo greve de fome. Não pensara nisso, apenas não sentia desejo pela comida. Tentou lutar contra isso, mas sentia-se como que preso por uma força maior que as suas. E assim foi se apagando. Achava estranho os movimentos do próprio corpo, como se estivesse sentindo uma dor imensa, mas a dor se fora. A última visão que teve foi o rosto do Chato.

E o que era uma dor física transformou-se numa profunda dor da alma. Escuro e frio. Tudo quanto tinha medo: escuro e frio. Sentiu-se novamente como naquela primeira vez, quando criança, em que acordara de madrugada e vira o escuro. E pela primeira vez também sentiu o frio. Veio-lhe à lembrança as incontáveis vezes, ao longo da vida, em que acordara no escuro e tremendo de frio. Aqueles poucos e infindáveis minutos eram o terror da sua vida. Não havia noite em que não fosse dormir com medo de acordar no escuro e tremendo de frio. Ultimamente isso acontecia com uma freqüência mais do que indesejável. Sabia que não adiantava se cobrir. O escuro e o frio vinham de dentro. O tremor era incontrolável. Por vezes gemia, sem entender porque aquilo acontecia. Nesse momento vinha o pior, o vazio.

Acordou naquela noite e escutou barulho na sala. Inocente ainda nos seus recém completos cinco anos, e curioso por tudo quanto desconhecia, resolveu levantar. Imaginava que seriam seus pais e seus irmãos mais velhos conversando. Saiu do quarto e caminhou pelo corredor. Ao chegar na sala experimentou o medo que jamais o abandonaria: viu diversos esqueletos pela sala. Uns conversavam; outros caminhavam de um lado para outro e alguns dançavam. Todos muito agitados. Tomado pelo medo, voltou correndo para o quarto, atirou-se na cama e cobriu-se com o cobertor. Fazia frio naquele dia. Ao deitar, ainda teve tempo de olhar para a guarda da cama e ver ali, estampada, uma caveira que brilhava no escuro. Foi a primeira vez, de tantas da sua infância, que fez xixi na cama.

Era assim que estava se sentindo naquele momento. Escuro e frio acompanhado de um vazio imenso. Não conseguia se controlar e chorava desesperado, quando um brilho intenso rompeu a escuridão. Reconheceu aquilo imediatamente. Eram os Olhos que Brilham, sua amada esposa, a Rainha Bruxa.



“…eram os Olhos que Brilham. Sua amada esposa, a Rainha Bruxa.”

- Querido, sinto muito te fazer passar por essa experiência, mas era a única maneira de evitar que o Chato fizesse coisa pior.
- Como assim?
- Não foste envenenado. Por um encantamento fiz com que parecesse assim. Sabia que o Chato iria tomar providências para evitar a tua morte.
- Mas e Mestre Alan, não será capaz de realmente me envenenar?
- Não te preocupes. Apesar de estar do lado do Chato, não ensinei a ele tudo que sei. Tenho certeza de que ele irá sugerir ao Chato que me chame. Isso é parte do meu plano. Infelizmente a Duquesa Roma, apesar das boas intenções, não deverá resistir.
- E por que essas dolorosas lembranças da minha infância, que nunca me abandonam?
- Querido, quantas vezes nem te lembras delas, mas eu vejo, todos os dias, como dormes. E se te cubro, não é apenas pensando que estejas com frio, mas porque sei dos teus sonhos. Agora preciso ir. Retornarei quando Clarissa e Fernanda aqui chegarem. Temo que D. Cláudio, apesar de ser meu melhor aluno, não consiga descobrir quem é o traidor. Nossa filha corre perigo, preciso estar com ela.
- E o que eu faço? Continuarei assim?
- Não. Vais ficar tranqüilo e nem verás o tempo passar, embora quem esteja te olhando verá dor e sofrimento em teu rosto.

E D. Afonso dormiu como dormia antes daquela noite da sua infância…



“E D. Afonso dormiu como dormia antes daquela noite….”

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 22, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa - X

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Jornada - Segunda Noite…

- Essa noite será um pouco mais difícil, disse o Capitão André. A subida será mais íngreme, por dentro de matas muito fechadas e teremos neblina pela frente. Não poderemos nos atrasar. Joseph irá comigo, na frente, para abrir caminho onde for necessário.



“…e teremos neblina pela frente.”

- Não posso, berrou Joseph lá de trás!
- Como assim, não pode?
- Estou aqui tão somente para proteger a Condessa e D. Fernanda. Devo andar sempre ao lado delas.

O Capitão virou-se para a Condessa, com ar de quem pediria a sua interferência, mas foi interrompido pelo Coronel Maurício…

- Eu vou. O Joseph tem razão. Acima de tudo devemos manter a segurança delas.
- Condessa, e o que fará D. Cláudio? Até agora não fez mais nada a não ser ficar observando a todos, aproveitou-se o General, já para mostrar que não gostava de D. Cláudio.

Ao ver que a Condessa hesitara em dar a resposta, D. Cláudio falou: - Meu caro General, não lhe cabe constranger a Condessa. Assim com todos aqui, também tenho a minha função. E posso lhe garantir que será revelada no momento adequado.

Todos olharam para a Condessa, que permanecia quieta. Era como se não estivesse ali. D. Fernanda percebeu que a irmã sentia-se angustiada. Aproximaou-se e perguntou baixinho:

- Minha irmã, posso saber o que está havendo?
- Algo me diz que papai não está bem. Devemos nos apressar.
- Então acabe com essa discussão e vamos logo.
- Mana, deixe-os discutirem mais um pouco. Quero que D. Cláudio os observe.
- E já estás desconfiando de alguém?
- Não faço idéia e isso me assusta. Todos sempre foram leais ao papai. Que razão teriam para traí-lo?
- E confias tanto assim em D. Cláudio?
- Mana, D. Cláudio é discípulo de mamãe. Se ela lhe ensinou tudo sobre as artes de interpretar os sonhos é porque confia nele.

Levantou-se e ordenou: - Parem com essa discussão. Todos sabem o que devem fazer e não quero brigas por aqui. General, cuide das suas tarefas e deixe D. Cláudio em paz.

A primeira hora foi tranqüila. A trilha ainda se mostrava razoavelmente transitável. Logo após atravessarem um pequeno riacho começaram as dificuldades. Dali vislumbraram a alta montanha que enfrentariam naquela noite.



“Logo após atravessarem um pequeno riacho…”

Pararam para um breve descanso. Foi quando se deram conta de que o Major Milton não estava com eles.

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 21, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa - IX

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A tentativa de Assasinato…

A Duquesa sabia que o poder das mulheres sobre os homens está não em saber começar, que isso é fácil, mas quando terminar. A escolha do momento exato em que a satisfação gera mais desejo. É quando o prazer pode se tornar um vício.

- Querido, disse virando-se de costas, recusando explicitamente mais uma investida do Chato, lembre-se que fiz uma viagem cansativa e essa noite não estava nos meus planos.
- Eu sei! Mas também sei que deves partir logo e já me doi pensar ficar sem ti.
- Isso depende. Permanecer mais tempo ou não é minha escolha. Quero que tenhas uma conversa com D. Afonso e convença-o a parar com a greve de fome.

Surpreso com a própria reação, o Chato concordou. Tão logo amanheceu, dirigiu-se à cela de D. Afonso. Quando a pesada porta de ferro se abriu, teve uma visão estarrecedora. D. Afonso jazia ao solo em meio ao que pareceia ser vômito misturado ao que mais lhe pudesse sair do corpo debilitado. A expressão no rosto denunciava o resultado da tortura. Alguém havia feito mais do que simplesmente dar-lhe cerveja quente. Percebeu que tentaram envenená-lo.



“A expressão no rosto denunciava o resultado da tortura.”

- Guardas!
- Senhor?
- Tirem D. Afonso daqui imediatamente. Limpem-no e chamem o Mestre Alan para que cuide dele.

Uma sensação de estar perdendo o controle da situação tomou conta do Chato. Não gostava de lidar com situações inesperadas, mas essa tinha passado dos limites. Matar D. Afonso? Não, nem ele havia pensado nisso. E como explicar para a Duquesa? Teria que descobrir logo quem fez isso e é algo que somente ele mesmo poderia resolver, pensou. Antes, porém, deveria planejar o que fazer para impedir que a Condessa chegasse ao castelo.

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 18, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa - VIII

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Jornada - Enquanto todos dormiam…

- Edu?
- Já te disse para não me chamar assim quando estivermos perto de outras pessoas.
- Mas estão todos dormindo, qual é o problema?
- Não sei, mas todo cuidado é pouco. Até a Condessa já anda desconfiada. Além do mais, não gosto desse D.Cláudio. Já viste como ele não pára de nos cuidar?
- Até parece que anda desconfiado de alguma coisa. Não entendi por que a Condessa resolveu trazê-lo.
- Eu imagino, Coronel. E essa é mais uma razão para que te mantenhas na linha. Não por ela, mas pelos outros. Nem todos entenderiam e, mais, nem todos aceitariam. Bom, daqui a duas horas aquele cão de guarda do Joseph vem te render. Não gosto dele. Não bastasse aquela cara enjoada, anda como se fosse um gato, sem fazer barulho. Vou dormir um pouco. Fica atento.

Ao se virar ouviu algo que o deixou nervoso…

- Ei, ei, volta aqui!
- O que foi?
- Vais assim, sem mais nem menos?
- Já te disse e repito: até o fim dessa missão sou apenas teu comandante. E dê-se por satisfeito por tê-lo trazido!



“Vais assim, sem mais nem menos?…”

Mais gente participara dessa conversa…

Havia tempos que aquela situação o magoava. Por vezes sentia-se bem por ter nascido numa época mais amena, embora a hipocrisia ainda fosse a mesma de sempre. A duras penas consquistara o posto de general. Não sem sofrimento, pois sabia que devia esconder algo que considerava tão natural.

Por quantas e tantas vezes ainda teria que se debater entre a realidade e a imposição? Buscava na história o momento da separação entre a realização individual e a submissão social e nada encontrava que lhe desse alento. Sentia-se expiando uma culpa que não era sua. “Ou te comporta como queremos, ou não terás o que queres!”. Um pensamento constante e perturbador em sua mente. Por várias vezes pensou em abandonar tudo. Talvez não tivesse tanto, mas também não sofreria na mesma proporção. Preocupava-se com Maurício. Aprendera a lidar com isso, mas será que ele suportaria por mais tempo?

Por essas coincidências, o Coronel Maurício pensava, naquele justo momento, na reação do General. Por que será que o Edu tem tanto medo, dizia para si. Será que ele não sabe que a vida pode acabar de uma hora para outra? E se um de nós morrer nessa missão? De que teria adiantado ficar preso a tantos princípios postos pelos outros?

Vontade tinha era de dormir, mas pôs-se a caminhar de um lado a outro do acampamento. Não tanto pelo sono, mas por não entender o comportamento do general.

Às três horas, conforme o combinado, todos foram acordados. Teriam tempo suficiente para uma refeição e para revisarem o plano para a segunda noite. A Condessa acordou com uma estranha sensação de tranqüilidade. Lembrava-se do sonho como se fora o próprio dia em que conhecera o mar e ainda sentia a mão quente da mãe na sua mão. “Não saia daí, mãe!”, murmurou.

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 16, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa - VII

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Jornada - Primeira Noite…



“Ao pôr-do-sol partiram…”

Ao pôr-do-sol partiram.

- Seguiremos próximo à estrada, disse o Capitão André. Amanhã nos afastaremos dela, seguindo em direção ao desfiladeiro. Iremos por uma antiga trilha, há muito abandonada.

Enquanto caminhavam, a Condessa aproveita para conversar com D. Cláudio.

- D. Cláudio, terias algo para me dizer?
- Ainda não, Senhora. Todos se comportam de maneira natural. Nada que os denuncie.
- Se me permites uma curiosidade, interrompe D. Fernanda, como pretendes descobrir o traidor?
- É uma questão complexa, Senhora. Observo as pessoas em busca de padrões de comportamento. Qualquer desvio desse padrão poderá nos dar indícios de que a pessoa está representando um papel, no caso o papel de traidor.
- Mas e as pessoas que têm um comportamento tresloucado por natureza, ora assim, ora de outro jeito?
- Mesmo isso é um padrão e é possível estabelecer os limites dessa variação. E a pessoa só ultrapassará esses limites se estiver fingindo. Cedo ou tarde quem representa acaba por se mostrar em pequenos detalhes. Por isso observo um por um atentamente.
- Mas seriam apenas indícios. E o que fazer para confirmá-los?
- De forma sutil, para que não se aperceba, vamos envolver a pessoa em situações que acabarão por desmascará-la. O que me preocupa é que teremos pouco tempo para isso.
- E o que vais fazer, minha irmã, ao saber quem é o traidor?
- Não pensei nisso ainda, mana.

A caminhada da primeira noite seguiu tranqüila. Ao amanhecer acamparam próximos a um pequeno riacho. O General e o Coronel, responsáveis pela segurança do grupo, combinaram o revezamento da vigília. Os demais foram dormir.

Sonhou com a primeira vez que viu o mar. Pequena ainda, não fazia idéia da imensidão daquelas águas. Assustou-se com o barulho das ondas e, tomada pelo medo, quis correr. A Rainha Bruxa pegou a sua mão e disse:

- Venha comigo, meu anjo. Não tenhas medo! Aprenda, porém, que ele é maior e mais forte que tu. Aprenda a respeitá-lo e ele te respeitará. O mar nos ensina que não devemos ir além de onde nossas próprias forças podem nos trazer de volta. O mar tem a força, mas tu tens a inteligência. Assim será com as pessoas, minha filha. Usa a tua inteligência, mesmo com aquelas que são mais fortes.



“Venha comigo, meu anjo. Não tenhas medo!”

Ao ver que a filha iria acordar, a Rainha Bruxa afastou-se…

Derrubei mais um pau da barraca lá no Meu Imposto

Posted by: Luiz Afonso Escosteguy | Fevereiro 15, 2006

As Aventuras da Condessa Clarissa - VI

Para ler tudo, desde o início: As Aventuras da Condessa Clarissa.

A Jornada - Os preparativos…

Ao entardecer reuniram-se para traçar o caminho da jornada. O Capitão André, apontou para frente.

- Não podemos seguir pela estrada, será muito perigoso. Seguiremos por outro caminho. Mais difícil, porém seguro. Exigirá muito de nós, pois em apenas 20Km subiremos quase 800 metros por entre as montanhas. Ao final do segundo dia devemos estar bem próximos do Bosque da Pedra, que fica a 30Km daqui, logo após aquele ponto mais alto, bem ao fundo. Certamente o bosque, por onde passa a estrada, estará bem guardado pelos homens do Chato. Só temos uma alternativa, que é descer o desfiladeiro do Val.



“Não podemos seguir pela estrada…”

A travessia do Val também não será fácil. O desfiladeiro tem uma profundidade de 750 metros. Devemos descer e subir numa única noite. Talvez possamos aproveitar parte do dia, pois é pouco provável que o Chato imagine que queiramos passar por lá.

- Sim, disse o Major Milton. Com certeza ele imagina que a Condessa avançará com suas tropas pela estrada e tentará algumas emboscadas. Não esqueçamos que eu o ensinei a fazer isso.
- General, interrompeu a Condessa, o senhor e o Coronel estão encarregados da segurança de todos nós durante o dia, enquanto descansamos. Permaneçam atentos. E você, meu caro Joseph, cuide bem de mim e de D. Fernanda. Partimos tão logo o sol se ponha.

Enquanto isso, no castelo de D. Afonso, Kaya, a Rainha Bruxa, estava atenta ao que se passava e buscava, ao seu modo, ajudar no resgate do marido…



“A Rainha Bruxa estava atenta…”

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